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[RCE-Release] Justiça escolar nos conselhos de classe?

Que concepções de justiça escolar embasam, nos conselhos de classe, as decisões sobre aprovação ou reprovação dos estudantes? Essa é uma das questões que o artigo Conselhos de classe: uma medida de justiça escolar?, de Vanessa Petró, publicado na Revista Contemporânea de Educação em 2018, objetiva responder. Petró chega à conclusão de que os conselhos de classe são permeados por disputas de diferentes perspectivas a respeito da justiça escolar, avaliação, educação e escola. Nesse sentido, enquanto alguns professores adotam em suas avaliações uma postura mais condescendente – ou seja, sem reprovar –, na tentativa de manter o aluno na instituição, outros recriminam essa atitude por considerarem que a reprovação é uma medida importante para manter a qualidade do ensino. No entanto, nem a aprovação nem a reprovação ocorrem em um vácuo: o que se destacou em relação à perspectiva de justiça foi uma concepção que preza pelo entrecruzamento das diferentes esferas em que o estudante está inserido, permitindo um posicionamento justo em relação ao resultado sobre o desempenho escolar. Nesse sentido, os docentes levam em consideração uma série de fatores – econômicos, sociais, emocionais e familiares, por exemplo – para avaliar o desempenho do discente e sua consequente aprovação ou reprovação.

De acordo com Petró, em meio às disputas, nos conselhos de classe, a respeito dos coeficientes e conceitos de cada disciplina e da atribuição de pesos distintos às matérias, os professores se preocupam em, a partir de sua decisão, não perpetuar as desigualdades sociais de que são vítimas os estudantes em situação de vulnerabilidade. Assim, os docentes procuram compensar esses alunos mais vulneráveis com a aprovação, na medida em que uma reprovação poderia provocar, até mesmo, a evasão escolar. Contudo, a autora atenta para o fato de que, com essa postura, os docentes, de certa maneira, colaboram para a manutenção das desigualdades, pois alguns deles consideram que não se deve exigir demais dos alunos “mais fracos”, cuja única ambição, com o diploma, de acordo com eles, seria ingressar ou se manter no mercado de trabalho, em vez de dar prosseguimento aos estudos. Dessa maneira, há uma descrença no potencial dos estudantes que condiciona o olhar dos professores em relação à sua trajetória escolar e às suas possibilidades de futuro.

O estudo foi desenvolvido com base no método etnográfico, a partir da observação de sete reuniões do conselho de classe de uma escola estadual de ensino médio do Rio Grande do Sul. A pesquisa, que também contou com a realização de entrevistas com a gestão escolar e com professores, desenvolveu-se ao longo do ano letivo de 2016.

 

Conselhos de classe: uma medida de justiça escolar?

Revista Contemporânea de Educação, vol. 13, n. 26, jan/abr de 2018
Autor: Vanessa Petró

Professora de Sociologia – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul – Campus Feliz. Doutora em Sociologia – Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Mestre em Ciências Sociais – Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Graduada em Ciências Sociais – Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.


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https://revistas.ufrj.br/index.php/rce/article/view/14351/pdf_1